Em 1836, o Ministro da Marinha e do Ultramar, o Marquês Bernardo Sá Nogueira, através do Decreto de 7 de Dezembro, ordenou que se criassem, nas colónias ultramarinas, publicações que veiculassem informações relevantes de âmbito legal, comercial e geral, aos residentes das respectivas colónias.

Nesta senda, com o envio da primeira tipografia para a colónia de Cabo Verde, em 1842, foi instalada a Typographia Nacional na ilha da Boa Vista, onde funcionava a sede do Governo.

A origem da Imprensa em Cabo Verde remonta precisamente o ano de 1842, aquando da publicação do primeiro Boletim Oficial do Governo Geral de Cabo Verde, posto a circular na quarta-feira, 24 de Agosto de 1842. 

O Boletim estava dividido em duas secções: “Interior” e “Exterior”, sendo esta última dedicada às notícias vindas do estrangeiro, chegadas ao arquipélago “pela última embarcação”. A secção “Interior” compreendia duas partes, a “parte oficial”, dedicada aos assuntos oficiais, em especial os diplomas legais, e a “parte não oficial”, que funcionava como um autêntico jornal, contendo  sínteses de notícias de diversas publicações nacionais e produções literárias de autores cabo-verdianos ou residentes em Cabo Verde, o que denota o cunho informativo geral do Boletim Oficial.

Inicialmente o Boletim Oficial não tinha uma periodicidade regular,  mas a partir da sua edição 33, datada de 27 de Maio de 1843, passou a ser publicado semanalmente, aos Sábados. 

Note-se que até 1879, o Boletim servia concomitantemente à Província de Cabo Verde e ao Distrito da Guiné. Com a desanexação da Guiné do Governo da Colónia de Cabo Verde, o jornal oficial passou a estar exclusivamente ao serviço do Arquipélago, com o nome de Boletim Oficial do Governo da Província de Cabo-Verde.